Total de visualizações de página

segunda-feira, 27 de maio de 2013

NOVIDADES!

Oi, galera! Tudo na boa?
Estou envolvido em dois grandes projetos. O primeiro é uma exposição dos meus desenhos, que pretendo usar como peça publicitária para divulgar o blog no lançamento de meu livro de crônicas, que deve sair.... Algum dia nesse ano. O outro, não tão importante assim, é que estou trabalhando também num antigo sonho de fazer uma história em quadrinhos da Alexia, então não se espantem se eu ficar algumas semanas sem atualizar as coisas por aqui. A outra novidade é que agora a Família Addams de São Modesto também está tocando o terror no Facebook, então aqueles que acompanham minha saga há pouco tempo também podem fazê-lo pelos links abaixo:

http://www.facebook.com/TerraDeExcluidos (Em português)
http://www.facebook.com/groups/598967510122689/ (Em inglês macarrônico :P)

Sem mais, até mais ver, gente!

OCULTAÇÃO DE CADÁVER

NO PORÃO DO EDIFÍCIO DECREPTUS, os três tentam fazer a instalação elétrica voltar a funcionar. No maior breu, Uli e Jakson seguram as lanternas e Manolo tenta operar a caixa de fusíveis com ajuda de um manual.

- Valeu pelo telefone da ruivinha, Uli.
- Rastafaris sempre alerta, carioca. Mas e então? Ocê tá mesmo a fim de Lexi?
- Bom... É impossível pra qualquer macho ficar indiferente àquele monumento, né?
- Assino embaixo!
- Gostosa pra cacete! Que olho verde é aquele, Jamaica? E, principalmente...-Faz o gesto de circunferência ao redor do peitoral.- Caralho! Que comissão de frente é é aquela? Portar aquilo tudo devia ser crime!
- E sabe do que mais? Nenhum milímetro dela nunca recebeu ajuda do bisturi, rapaz. Conheci a gata em seus 17 anos, e ela continua com a mesma cara até hoje!
- Linda de matar, talentosa... Só tem um probleminha. Parece que é inteligente demais. Ela me contou de onde vem o talento dela, cheguei a ficar meio apavorado!
- ÔU! DÁ PRA TU PARAR DE BALANÇAR A PORRA DA LANTERNA, JAKSON?- Manolo briga com o irmão- A PARADA AQUI É PERIGOSA!
- Opa, foi mal. Como é que tá aí?
- Ninguém mexe nessa fiação há muito tempo... Só dá cabo roído de rato e ligação podre. A gente vai ter que refazer a fiação todinha antes de pensar em puxar o gato.
- Ocê deve entender de eletrônica pra cacete, hem, maluquinho?- Uli se interessa.
- Dou minhas quebradas por aí... Lá no hospício, já dei muito curto-circuito nos portões elétricos pros internos fugirem.
- Dizaí, que papo é esse de hospício?
- Nem queira saber, Jamaica.- Responde Jakson.
 Bom...- Manolo corta uns fios com um alicate, limpa a ferrugem com um pedaço de lixa e os emenda de volta com fita silver e uns band-aids usados do próprio corpo- Até a gente voltar com os cabos novos, deve quebrar o galho essa amarração. Alguém quer ter a honra de ligar a chave?
- Jah não permite!
- Sai fora, véio! Quer me matar?
- Cambada de frescos..

Ele liga a chave e os circuitos explodem na cara dele com tanta energia que voa arrastando pelo chão e dá de cabeça na parede. As lâmpadas dos postes ao redor do velho prédio até dão pique com o curto-circuito. Manolo, totalmente grogue, abre  os olhos e a boca, seus dentes ficaram cobertos de cinzas com o choque. Mas a luz do prédio de algum jeito volta a acender!

- UHUUUUUU! Caralho, isso sim que é onda! Ai, mnha vozinha...
- É, parece que ocê leva jeito mesmo pra esse tipo de coisa, hem, maluquinho?- Uli limpa as cinzas do cachimbo.

No seu gabinete em casa, o prefeito está ao telefone.

- Alô? Dona Valquíria? Pode me passar para o supervisor-chefe da empresa, por favor?

Aguarda, batucando o ritmo da musiquinha de espera na mesa.

- Sr. Edelberto? Sou eu, Chico.Hoje às 14:30 eu agendei uma inspeção com o dono de uma doceria às instalações da fábrica. Quero que seus homens escondam qualquer coisa que possa me incriminar aos olhos dele, OK? Dá um banho de rodo aí em tudo que logo logo a gente vai chegar. Compreendido? Ótimo. Nos veremos em breve.

Do outro lado da linha, o supervisor, chocado, desliga o telefone com as mãos trêmulas.

- Nossa Senhora!

Ele sai correndo da sala e gritando feito louco.

- PAREM TUDO! PAREM TUDO!
- O que aconteceu, patrão?
- A fábrica vai passar por uma inspeção hoje à tarde, temos que limpar tudo o mais rápido possível!
- Como assim ‘tudo’?- Pergunta um empregado.
- Quando eu digo TUDO, quero dizer TUDO! 100%!- Edelberto pega um megafone- Atenção, equipe! Queremos todos os animais mortos, insetos, mendigos, cigarros, garrafas de cana e qualquer outra atividade ilícita fora da fábrica em uma hora! Inegóciável! Mãos à obra!

Todo mundo sai correndo desesperado.

Chicão sai de casa, entra na limusine e fala com o motorista pela janelinha divisória.

- Leve-me à fábrica, por favor, seu Fitipaldi.
- Pois não, sr. prefeito.

sábado, 18 de maio de 2013

BONITINHAS, MAS EXTRAORDINÁRIAS



AS CINCO MENINAS E A TREINADORA tomam café da manhã no balcão do posto. Toca Meu Refrigerador Não Funciona, dos Mutantes, no rádio.

- SÉRIO?! Ela conseguiu segurar um ladrão sozinha no shopping? É nossa menina de ouro!- Brígida,  líder do time, dá um tapinha nas costas de Clarissa. 
- Tudo é fácil de fazer quando a gente é atleta, né?- Clarissa disfarça a falsa modéstia.
- Vou avisando.- Diz a treinadora- Aqui eu deixo vocês comerem à vontade... Mas quando a gente voltar pra capital, serão oito voltas em torno da Pampulha, no mesmo tempo que levam para dar cinco, entenderam?!
- Sim, treinadora...- Toda respondem em tom monocórdio e robótico.

Alexia apanha cinco potes do doce de cajá-manga na dispensa.

- Quem vai...?

Elas avançam no doce como um bando de lobos famintos, derrubando a moça no chão.

- Por Kurt! Calma, gente! Tem pra todo mundo! Por enquanto...
- Olhem lá, garotas! São 800 calorias por colherada. Quando voltarmos para a capital, nem quero estar embaixo do couro de vocês!
- Sim, treinadora...
- É, o prefeito pode não conseguir nem soltar pipa sozinho- Diz Bárbara, tirando uns pães de queijo do forno- mas esse doce dele é um pecado!

Depois do café, as meninas improvisam suas rotinas de ginástica de solo no acimentado do posto, ao som  de Alexia em uma guitarrinha baiana moldada como a guitarra Jag-Stang de Kurt Cobain. As mulheres do recinto ficam admiradas com a habilidade do time. Bárbara tenta se mostrar indiferente, mas não consegue conter a emoção. A treinadora toca o apito.

- Chega.! Muito bom, muito bom, garotas. Mas para serem perfeitas ainda têm uma estrada enorme a percorrer! Retomaremos o trabalho sério na capital. Pro chuveiro!
- Graças a Deus!- Resmunda Brígida.
- Tô morta!- Resmunga Rita.
- Também.- E a irmã gêmea.
- A senhora tá de parabéns, Treinadora.- Flor a felicita- Nunca vi Clarissa tão forte, e mesmo assim, graciosa.
- É todo um trabalho em equipe, Srª Bernardes. Elas se ajudam muito e se incentivam sempre que alguém pisa na bola. Sinergia absoluta.
- Um trabalho incrível, treinadora. O time vai brilhar no país todo!

O celular de Alexia toca no bolso de suas calças jeans sempre estropiadas e ultrajustas.

- Cencinha, gente. Alô? Aaaaaah, ocê, Jakson... Me deixando plantada lá na estrada, né? E ainda vem pedindo perdão... Tá, tá, pára de espernear, rapaz! Apruma, pôxa! Olha... Por incrível que pareça, eu tô a fim de te perdoar, sim. Quer encontrar comigo lá no bar do Escocês mais tarde? Depois do almoço tá bom procê? Ok, então. Me aguarde!

Joga um beijo pelo celular. Ela desliga.

- Qualé, prima? Ainda joga beijinho pro malandro que preferiu um skate a ocê?
- Minha técnica infalível, Barbie. Dou esperanças pra ele, e depois deixo o sujeito com as calças na mão. Não esqueça que eu ainda tenho aquele assunto das 100 mulheres dele pra resolver, lembra? Se depois de sabatinado ele ainda insistir em me ver, aí é rock n roll!
- Ah, tá...
- Olha, treinadora.- Diz tia Flor- A gente precisa de uma ajudinha pra enfeitar a casa pro aniversário de Clarissa. Se importaria de emprestar as garotas pela tarde?
- De forma alguma!
- Ô, Clá? Acho que a gente já passou tempo demais aqui no posto. Vamo pra casa?
- Vamo sim, mãe. Tô com saudades do Sabata e de meu bercinho!
- MEU bercinho, pro seu governo!- Implica Bárbara.
- Tanto faz. Vamos, meninas?

Enquanto elas voltam para a van, Alexia ri baixinho.

- Barbie, Barbie... Apesar de mais velha, ainda consegue ser tão criançona...
- Tentar vencer com as mesmas armas do inimigo não é crime.

terça-feira, 7 de maio de 2013

PRESENTÃO!




- O QUÊ? COMO ASSIM?- Josué, o gigante polonês, mestre de obras da nova prefeitura, discute no telefone de maneira apavorante. Os peões da obra escutam os berros vindos do almoxarifado, impávidos- Ele quer reduzir ainda mais o orçamento da obra? Não tem condição! Eu já trabalho nesse canteiro há três anos, nesse tempo a gente só levantou o primeiro andar de um prédio de cinco! Já cortou pela metade a brita, a cal, o concreto, e agora mais essa? Tenha santa paciência! O que Chicão espera que a gente faça, que espalhe a argamassa com uma faca de manteiga pra fazer render? Ah, vai... Olha, não quero nem saber de nada, seu Iracy! Nessas condições, se você não conseguir fazer o prefeito mudar de idéia, pode pegar meu capacete, meu crachá e enfiar naquele lugar dele! Te dou até terça-feira pra cumprir minha exigência. Passe bem!

Ele bate o telefone no gancho e arrebenta a porta do almoxarifado com um chute. Os operários saem todos do caminho enquanto ele anda a passos tão pesados como os de King Kong. Vai até o bebedouro, aperta o botão da torneirinha e não sai nada. Com sangue nos olhos, ele começa a espancar o aparelho até ficar parecendo uma latinha de refrigerante achatada.

-QUE É QUE FOI?!? TÊM NADA PRA FAZER NÃO? VÃO LEVANTAR UM MURO, ANTES QUE ADONAI CASTIGUE!- Todos os peões saem correndo apavorados.

Do lado de fora do posto, Clarissa treina sua rotina de acrobacias de ginástica, usando um velho banco de madeira como cavalete. Alexia toca Brasileirinho no violão para acompanhar a prima. Bárbara assiste à rotina com indiferença.

- Isso aí. A nova foca amestrada do zoológico...- Diz Bárbara, irônica.
- Quieta, Bárbara! Isso é jeito de falar de sua irmã?- Flor a repreende- Parabéns, filhinha! Melhorou muito desde ano passado!
- Isso aí, prima!- Concorda Alexia- Daiane dos Santos ia morrer de inveja.
- Por isso que ocê resolveu tocar logo essa música, Lex?
- É mesmo, Lex. Foi a primeira música da sua vida.- Diz Bárbara- Por que foi se lembrar dela justo hoje?
- Ah, nem sei, Barbie...

Ela manda o solo final a 500 por hora no violão, chegando a estourar duas cordas.

-Boa, Armandinho!- Brinca a prima.

Clarissa tenta dar um avião no encosto do banco, mas acaba perdendo o equilíbrio na ponta do pé e cai deitada no banco. As três vão ajudá-la.

- Minha filha!
- Que foi que aconteceu?
- Nada não, gente. Minhas pernas ainda tão meio moles da viagem. Acho que vou voltar pra cama...
- Dormir MAIS? Parece até um urso!

Elas são interrompidas por uma van roxa entrando na estrada de chão, a caminho do posto.

- Olha só!- Bárbara se impressiona- Vêm vindo fregueses aí!
-Todas quietinhas aí atrás!- Diz a motorista- Não vão estragar a surpresa!

Assim que a van encosta e o vidro da porta direita começa a baixar, Bárbara começa a falar.


- Olá, forasteiros! Bem-vindos ao posto...

Clarissa reconhece os olhos azuis gélidos e o cabelo preto curto amarrado e fica espantada.

- Treinadora Trucão?
- E não vim sozinha...

A porta maior da perua se abre, revelando as colegas de Clarissa, cheias de presentes nas mãos.

- SUUUUUUURPREEEEESAAAAAAAAA!!!
 - Brí! Den! Liu! Ritinha!! O que vieram fazer aqui?
- Como o que viemos fazer, Azul?- Pergunta a ginasta negra.
- Achou mesmo que a gente ia deixar seu níver passar batido, boba?- Emenda uma das gêmeas.
- Não fosse eu ter o Google Earth no celular a gente nem tinha conseguido chegar aqui, Clá.. Em todo lugar que a gente perguntava por São Modesto, as pessoas diziam “ONDE?”
- Pôxa, meninas! Eu tô até emocionada...- Começa a chorar de alegria. As colegas dela saltam para fora da perua para um caloroso abraço em grupo.

- Azul, Azul...- Brinca Aldênia- Sempre a mais emotiva da turma...

Todas começam a cantar o Parabéns da Xuxa, carregando a colega nas costas. 

No Edifício Decreptus, Manolo, Jakson e Ulysses vasculham a área com lanternas.

- Viu só, Jakson?- Diz Manolo- A casa tá todinha mobiliada! Basta colar uns pôsteres, puxar um gato no poste, dar uma espanada em tudo... O único galho vai ser arrumar água encanada, mas...
- Fecha o bico, Manolo!

Enfia um chute na virilha dele, que cai de joelhos. Vem apontando o indicador no nariz do irmão caçula.

- Viu o mico que tu me fez pagar? Deixei Alexia plantada lá no meio da estrada pra vir te pegar, seu leproso! Agora ela deve tá me querendo morto!
- Também, quem mandou trocar um par de seios por dois pares de rodas? Tu foi um tremendo zemané!
- Não fala mais comigo, cabeção! Vai caçar tua turma!

Uli acende seu cachimbo.

- Pára de ferver, carioca! Ó. Ocêis dois ainda não conhecem Alexia direito. A gente já namorou por cinco anos, fiz coisa muito pior com ela e a gente continua amigo! A mina tem uma cabeça boa. Assim que ‘cês dois se encontrarem de novo, vai ser como se não tivesse acontecido nada.
- Verdade isso? Tu e ela já ficaram?
- Pode escrever, carioca. Ninguém resiste ao meu charme de mascate!
- Convencido...