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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

CASPITA!


D
epois de muita enrolação, enfim os irmãos cariocas, Uli e Josué conseguem comprar os materiais de construção para consertar o teto da oficina. Eles, acompanhados de Bárbara, descem até a cidade e carregam a mala do Fleet com cimento, brita e tijolos. Para ser mais exato, Josué carrega tudo ao mesmo tempo nos ombros.Bárbara só falta babar nas botinas do gigante polonês.

- Meu pai eterno! Imagina um murundrú de homem desse lá no quartinho do posto...
- Enrola a língua de volta pra boca, Barbie! A gente tem que pagar essa parada aqui!- Uli a desperta de seu transe sexual.
- Ah, fica na sua, ô vagabundo... Quanto que vai dar tudo?
- Tá aqui a nota. Uma dúzia de pré-moldado: 200. Dois saco de cimento: 100. Dez quilo de brita: 100. Quatrocentinho, Barbie.
- Tá, tá, ótimo... E quem vai pagar?
- Ora, quem furou seu teto não foi o maluquinho? Quem devia pagar tudo era ele, não?
- COMO É QUE É??- Os irmãos param na hora com a lutinha- Eu sozinho pagar 400 pilas?
- EU, não. Nós dois!- Jakson intervém- Se juntar tudo o que sobrou daquele dinheiro da pampa, mal dá pra amarrar 300.
- Como assim? Como foi que ocêis conseguiram torrar aqueles 500 numa cidade de merda igual a nossa em menos de dois dia?
- Ué, Jamaica. Dois pernoites no hotel do posto mais o porre de ontem dá quanto?
- Isso sem falar que a gente só furou o teto da oficina porque VOCÊ deu aquela idéia de jerico de remendar o motor do carro com arame derretido!
- Cala a boca, maluquinho!- Uli tasca um tapa na nuca de Manolo.
- Calo, não, maconheiro fiduma... Tu é tão culpado nessa história quanto a gente!
- Vamo parar com essa discussão, ocêis!- Bárbara fica entre os dois de braços estendidos, enquanto Jakson segura o irmão caçula- Óia, pra ficar tudo numa boa, o vagabundo dá 150, os dois lesos dão 150 e eu dou 100. Pronto!
- Ma-pe-pe-peraí, Barbie. De onde é que ocê espera que eu vá tirar 150 real?
- Quer mesmo que eu responda? E vê se paga logo essa joça, que eu tenho de lavar o chão da lanchonete!

O prefeito espera ansiosamente por uma ligação, batendo freneticamente os dedos da mão direita na mesa e acariciando sua preciosa medalhinha na mão esquerda. O telefone toca e ele atende, aflito.

- Sim? Sim? Sim?

Do outro lado da linha, uma voz calorosa, carregado sotaque italiano. Um senhor já idoso e gorducho, cabelo e bigode grossos, de terno preto e gravata vermelha, acaricia um cachorro da raça Cane Corso branco, com seus dedos cheios de anéis de ouro e brilhantes.

- Franchesco? Don Giovanni Pasolini quí. Parlati, amico!
- Amigo uma conversa, Giovanni! Você me prometeu que seria um trabalho limpo! Os corpos do Romualdo e de meu guarda-costas traidor deveriam simplesmente sumir! Como foi permitir que desovassem os dois logo no canteiro de obras da MINHA CIDADE?
- Ma que? Mios homens fidzeram questo stupido? Não posso credere!!
- Como assim? Vocês não planejaram o sumiço em conjunto?
Giovanni- Ma Dio-santo! No lo capisco nada!
- Como não entende?- Chicão espanca a mesa, furioso- COMO NÃO ENTENDE?! Você me ferrou, Don Pasolini! A cidade toda tá falando dos corpos que acharam no piche, e não vai demorar nada até a Polícia do Estado entrar no rolo!
- Per favore, calma! Calma, Franchesco! Tutti será adjetatto ainda hodje!
- Só quero ver, Don Pasolini! Só quero ver! Você e seus coveiros têm até essa tarde tarde pra se arrastarem pra cá e completarem o serviço do jeito que eu encomendei, caso não queira que nossa sociedade seja cortada para sempre! Passar bem!
- Espera, Franchesco! Espera!

Desliga na cara do mafioso. Ele perde a cabeça ,berra e dá um tiro pro alto com uma pequena pistola Deringer.

- Nogiento! Ninguém bate il telefone na mia faccia!

Disca o número 9 no telefone.

- Voglio vocês tutti qüí, AGORA! 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

TE PERDOO (PARTE 2)



N
o dia seguinte, perto do sol terminar de nascer, uma Parati verde-musgo deixa o posto.

Bárbara- Te cuida na capital, Lex. Tcha-au!
Alexia- ‘Té amanhã, prima.

Na cidade, as coisas tentam retornar à sua normalidade. Quem passasse por São Modesto de passagem, sequer pensaria que, há apenas três dias, seus cidadãos encararam um verdadeiro inferno com as bombas do prefeito. Donas de casa vem subindo a ladeira com os sacolões da feira, cumpádis mais antigos já apanharam suas violas para passar o dia sentados nos alpendres, entoando modinhas e contando causos, como sempre fizeram. Meninos de rua brincam de montar castelinhos com os restos de asfalto, até o capataz das obras vir expulsá-los. Quanto ao asfalto semi- novo, os peões trabalham a todo vapor, sendo que a entrada da cidade e mais um pouquinho de chão já foram re-asfaltados.

- Algum problema, Zelão?- Pergunta o capataz a um dos peões.
- Sei não, capatáis. Esse asfarto num apraina de jeito ou maneira! Tem cadas pedação!
- Ocê não é homem, não? Continua empurrando com a pá até abaixar tudo, homem de Deus!
- Sim, sinhô...

Ele continua fazendo uma força danada com a pá, a fim de fazer o bolo de brita e piche se mover. Até que o capataz ouve um grito de pavor e vai correndo ver o que houve.

- Que foi, Zelão? Atacou da hérnia?

Ele mal consegue falar.

- Fala logo, homem! O que aconteceu?
- Seu.. Seu capatáis... Dá só uma espiada aqui!

Ele puxa a pá, revelando um braço saindo do preparado de asfalto! Todos os peões se aglomeram para ver.

Zelão continua a cavar, revelando o resto do corpo do defunto. Os construtores não acreditam no que vêem.

- Que barbaridade!
- Quem terá feito isso?
- Devem ter afogado o coitado no piche de madrugada!
- Será que alguém conhece ele?

Os curiosos não param de aglomerar. Um obreiro vai correndo até o capataz.

- Sinhô?
- Que foi agora?
- É melhor o sinhô vim aqui vê!

Eles andam até um tanque de piche. Outros construtores arrastam um saco preto de pano enorme para fora dele, o abrem e dentro dele está um dos guarda-costas do prefeito. O pavor é geral. Vai juntando cada vez mais gente em torno dos corpos. Dona Abelzinha, chegando à cidade de bicicleta para o trabalho, fica apavorada com tudo aquilo e corre para a prefeitura. Ignora todas as pessoas que tentam cumprimentá-la e sobe direto para o gabinete.

- Prefeito! Prefeito!

Ele dormia na cadeira de prefeito com um surrado exemplar de “DESOBEDEÇA OS DEZ MANDAMENTOS E TENHA O MUNDO A SEUS PÉS” sobre o rosto, e acorda num salto.

- AI! Dona Abelzinha? Isso lá é jeito de começar o dia? Que aconteceu?
- Prefeito... Asfalto... Tanque... Corpo...
Prefeito- Calma, Dona Abelzinha! Uma coisa de cada vez.

Só se ouve o berro de fora da prefeitura.

- ACHARAM OS CORPOS??? MAS COMO???

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

TE PERDOO (PARTE 1)


Violão em punho, Alexia mostra para sua amiga rica a música que vem tentando compor desde de manhãzinha.

“Olho pras pessoas mas
 Não quero conhecer ninguém
 Minha mãe diz que é errado
 Mas pra mim tá tudo bem

 O mundo é cruel e minhas rimas
 Fúteis, os conselhos que recebo
 São, no fundo, inúteis

 Assim prossigo, assim prossigo
 Meu dado é viciado e meu
 Destino quer acabar comigo”

- E então, Monique? Curtiu?
- Olha, eu olho, olho, e não consigo entender como pode caber tanta tristeza numa mulher só...
- Tem espaço de sobra nos peitos.- Alexia brinca.
- E como tem...- Elas riem alto.
- Olha só, a chuva já tá passando! Bom, acho que já incomodei bastante por aqui, cumádi. Seus criados que o digam.
- Aparece mais vezes, Alexia!
- Tenho que aparecer, né? As aulas são aqui, mesmo...

O escocês, Uli, Josué, Chorume, Manolo e Jakson assistem à TV no bar, comendo uns torresminhos e enchendo a cara. Jakson folheia um jornal.

- Mulher aqui por essas bandas é um negócio difícil de conseguir, Manolo- Diz Uli.- Tirando Alexia e Barbie, todas as mais comíveis ou tão comprometidas ou fugiram pra Juiz de Fora. Mas se o que ocê tá a fim é só duma caçapa pra sua bola, na cidade tem duas casas de mulher, o Clube Brigadeiro, que é a zona dos pobres e a Boate Zácaro, que é a dos bacanas. Já não me deixam mais pernoitar no Brigadeiro porque eu tô devendo até as tripa pra eles, e no Zácaro... Bom, tive um rolo com a filha do dono, aí já viu...
- AH, NÃO!- Jakson Sá um furioso bofetão na bancada.- O Vasco empatou mais uma de 1 a 1? Faz favor, pôrra!
- Hehe... Timeco marca-bosta esse seu, hem, carioca?- Escocês sacaneia o pobre torcedor.
- Pôxa, quer me matar do coração?
- Tu tem um, Ulysses?
- Olha, agradeço muito pela mão que todo mundo deu pra gente na rádio hoje.
- Que é isso, Uli.- Agradece Jakson- É o melhor que a gente pode fazer pra pagar pela grana que tu descolou pra nós.
- Então, quer dizer que o prefeito da cidade também tem um programa policial? Pergunta Manolo.
- Arrá... E famoso no estado todo, por sinal. Mais pelo pastelão que pelas, como ele diz, “cenas chocantes”...
- Esse prefeitinho nosso é bisonho.- Chorume fala de boca cheia, babando torresminho mastigado pra todos os lados- Tem uma capacidade enorme de apontar tudo que tem de errado...
- E a mesma capacidade pra não mover uma palha pra consertar.- Complementa o Escocês.
- Cala a boca, que vai começar!
- A partir de agora, de São Modesto para todo o estado, mais uma vibrante edição do Diário do Chicão, com ele. O seu, o nosso prefeito, Chicão Rotscheider!

Claque de aplausos.

- Muito boa tarde, caros conterrâneos modestinenses, e de toda Grande Minas.- Entra em cena Chicão, com o sorriso mais plastificado do planeta, socado num terno bege apertadíssimo, que o faz parecer um bote salva-vidas enrolado- Fecha em mim, Olho Mágico! Boa, boa... Antes de trazer as manchetes do dia, gostaria de lhes dar um recado. Música heróica, por favor. Isso... Como todos devem se lembrar, semana passada eu fui atacado enquanto saía de minha casa.

Nas imagens de arquivo, mostram os seguranças do prefeito tentando defende-lo de manifestantes furiosos. Um dos seguranças se assusta, se abaixa e o prefeito acaba levando uma pneuzada na cabeça, caindo durinho no chão.

- Cachorro! Sem-vergonha! Volta pra cadeia, filha-da-mãe!

No estúdio, o prefeito tenta se segurar e manter a pose, acariciando sua medalhinha.

- Desgraç... A-ham... De qualquer modo, deus criou os seres humanos para perdoarem uns aos outros. Em qualquer outro lugar do mundo, tal ato seria motivo para prisão perpétua, e talvez até pena de morte, mas não em São Modesto, lar da paz e da civilidade. Descobrimos que o agressor é um pedreiro de 37 anos chamado Romualdo Santos de Almeida. Apesar de ter sido brutalmente agredido e ter passado dois dias desacordado, eu tenho apenas uma coisa a dizer, com todos os meus queridos modestinenses e o estado de Minas Gerais como testemunhas. Ô Olho Mágico! Fecha aqui em mim!

A câmera fecha no rosto dele. Ele diz da forma mais dramática possível.

- Em letras garrafais: TE PERDOO... ROMUALDO!

Sorri para a câmera, com uma lágrima microscópica descendo pelo rosto. Claque de aplausos.

- Agora, vamos às manchetes!

De volta ao bar...

- Dá pra acreditar nessa história?- Pergunta um Jakson indignado- Viram o monte de vezes que ele piscou enquanto falava?
- Quem é que sabe?- Responde o escocês- Mas pelo sim e pelo não, é melhor a gente abrir o olho. Com um pouquinho de sorte, esse torresminho aqui pode até ser a bunda de Romualdo!

Os quatro cospem o torresmo de nojo.

- Olha que Jah castiga, escocês! Não se brinca com uma coisa dessas!
- Hum... Até que Romualdo tem um gosto bom...- Chorume faz piada.
- Seu Nojentão...

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

1.21 GIGAWATTS?!?

WE´RE BACK, BABY!!!




C
hove caudalosamente em São Modesto. Nas ruas, as crianças abandonadas tomam banho nas calhas d’água e brincam de descer as enxurradas a bordo de pneus velhos. Um velho mendigo, que desmaiou de bêbado no meio da rua, também é arrastado pela água, e alguns moleques mais malandrinhos já trataram de hastear uma bandeira de pirata nas costas dele sem que notasse. Sem ter como voltar para casa, Alexia aproveita para colocar o papo em dia com a filha mais velha do dono da mansão.

- Aposto que, hora dessas, Ulysses deve tá falando assim: “A única chuva do ano em São Modesto e eu aqui sem um sabonete”- Brinca Alexia, tomando um cafezinho.
- Ah, tem piedade, Alexia!- Reclama a outra moça, que, se considerar só a aparência, preenche todos os requisitos para ser uma patricinha de carteira de trabalho assinada-
Vai dizer que você e sua prima ainda se misturam com aquela lata de lixo hospitalar... Aquele ali não vale o sol que recebe na cara!
- E eu não sei disso, Monique? Fiquei com ele cinco anos, mas uma noite na cama com aquele ali tem mais poder que um contrato com o diabo!
- Hahahahahaha... Tem mesmo coisas que só você consegue dizer, cumádi... E diz aí, menina. Como o coração tem cuidado de ti?
- Hum... Nem sei dizer. Ontem, apareceram uns caras meio doidos lá no posto, fugidos do Rio...
- Sei.
- O mais novinho consegue meter mais medo que o Uli, mas o irmão mais velho dele, cumádi... Um galego de categoria! Bom de papo, barbudinho, loiro com o cabelo medindo quase um metro, e uma bundinha, uma bundinha que...
- Ahem!- O mordomo corta a conversa, pois a ruiva já começava a descrever Jakson com, digamos, exageros de teatralidade.
- Ih, desculpa aí, Jarbas... Acho que acabei me empolgando...
- Imagino como será quando tiver certeza, professora Moura...
- Ah, fica na sua, Jarbas!- Monique repreende o mordomo- Vai lá dentro buscar mais uns biscoitinhos pra gente, tá bom?
- Sim, senhorita...

Ele se despede e volta para a cozinha. Enquanto isso, lá na Aterro FM...

- Oh, Jah...- Uli lamenta, enquanto acende seu cachimbo- A única chuva do ano em São Modesto e eu aqui sem um sabonete... É, palmas pra nós,galera. Demorou, mas a gente conseguiu colocar tudo em ordem em tempo recorde!
- Demoramo tua véia, espertalhão!- Retruca Jakson- A GENTE demorou dois dias pra consertar tudo, e TU ficou aí, pitando!
- Ora, cada um deve exercer sua função na sociedade. Se não existissem os folgados, não existiriam os trabalhadores.
- Tu tem é sorte que a gente ainda tá de bobeira na cidade, ô jamaicano.
- Seguinte, gente.- Manolo intervém- No que depender da aparelhagem, parece que não tem mais nada quebrado, sorrisão. O único problema agora é ir lá fora e ajeitar a antena.
- Debaixo de chuva, maninho? Quem é que vai topar uma missão suicida dessas?

Algum tempo depois, Josué e Manolo saem do bar Pés Juntos usando capas de chuva e carregando o molho de ferramentas.

- Grande jogador de dois-ou-um que você é, hem, lagartixa?- Reclama Josué.

Eles sobem pela escada de emergência no beco do fundo do bar até o terraço de um prédio, consertando uma mini-parabólica improvisada com uma bacia de metal, uns cabides presos a um fio, que por sua vez está conectado a um antigo Atari acoplado a um conversor de TV a cabo, e tudo isso está conservado em um caixote metálico com tampa. Manolo, com uma sombrinha, grampeia o cabo solto de volta na parede, que desce até um buraco no bueiro.

- Essa chuva tá crescendo, Uli. Tô começando a ficar preocupado...- Josué fala pelo celular- Qual a necessidade de acabar com isso hoje? Ninguém escuta essa porcaria de rádio, mesmo...     
- Fala menos e faz mais, grandão...
- Bom, pelo menos aquele treme-treme não afetou muito a antena ou essa gambiarra que você fez aqui em cima. Só faltam mais alguns...

Nessa hora, um raio atinge a antena na mão de Josué em cheio. A eletricidade trafega através do cabo e pega Manolo também, Acontece um apagão na emissora.  

- Mas que merda foi essa?- Chorume acende uma lanterna.
- Foi esse raio lá fora Deve ter detonado a antena...
- E os dói lá fora também.- Complementa Jakson.
- É, é. Aqueles dois...- Uli apanha o celular no chão- Jô? JÔ?!? Ocê ainda tá aí, homem? Quê que tá pegando aí fora?

Só se escuta estática por quase dez segundos. De repente, a luz volta, e com ela, a voz sussurrante de Josué.

- Tudo em ordem, Ulysses. Podem começar a transmitir.
- Jura? Tá... Tá tudo em ordem? Vamo testar então! Tião?

Chorume volta para a sala de som, vira uma porção de botões, berra ao microfone e sua voz de animal torturado ecoa por todas as caixas de som da emissora.

- VOCÊÊÊÊÊÊÊS, VOCÊS E TOOOOOOOODOS VOCÊÊÊÊÊÊS!- Tião grunhe, imitando o Zé do Caixão- ADIVINHEM QUEM VOLTOU? O PRIMEIRO E ÚNICO TIÃO CHORUME, ENCHENDO SEUS OUVIDOS DE MERDA E PODRIDÃO! A SEMPRE EFICIENTE ATERRO FM TÁ DE VOLTA À ATIVA-VA-VA-VA-VA-VA!
- UHUUUUU! Estamos de volta!- Eles comemoram- Jah, ocê não me abandonou!! Alô? Josué, ocê é mesmo um mestre no gato radiofônico! Mas que foi que pegou aí fora?
- Nada sério. Só o raio que me atingiu e eu dei uma apagadinha.- Tosse uma nuvem de fuligem- Eu continuo firme e forte, já o Manolo...

Lá embaixo, Manolo está todo chamuscado, com o cabelo ainda mais arrepiado que já era e cambaleante, dançando na escada.

- I’m siiiiiiiiinging in the rain... Just siiiiinging in the rain... Menino... Isso sim que foi onda!
Iiiiiiiiiiiiiih- hihi! Ai, minha vozinha...

Desmaia.